quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pressão: Jardim «como numa pelada», V. Pereira «stressado»

Como reagem os dois técnicos antes dos grandes jogos? Três ex-pupilos contam tudo ao Maisfutebol. 
E tão diferentes eles são


Leonardo Jardim e Vítor Pereira

As opiniões coincidem: Vítor Pereira e Leonardo Jardim são radicalmente distintos. Se um é emoção, o outro é serenidade. Se um vive do pulsar do coração, o outro segue as coordenadas do cérebro. As pistas são claras e deixadas ao Maisfutebol por três jogadores já orientados por ambos no passado. 

Na antecâmara de um decisivo Sp. Braga-F.C. Porto, nada como ouvir quem os conhece. Por dentro e por fora, nas mais diversas abrangências da função de técnico.

Duas abordagens distintas, a mesma ambição. O técnico do F.C. Porto é «mais intenso», vive o futebol «em demasia» e essa obsessão «não o deixa libertar-se», refere Vítor Alves, treinado por Vítor Pereira no Santa Clara. O homólogo do Sp. Braga, por outro lado, «é mais tranquilo». 

Ora aí vai um exemplo. «Em Chaves o mister Jardim instituiu um hábito que levou depois para o Beira-Mar. Nas manhãs dos jogos, levava a equipa para um passeio no centro da cidade. Tudo para lembrar às pessoas que era dia de jogo, para as chamar ao estádio e ouvi-las», conta Vítor Alves. 

«Perdia sempre um ou dois minutos a falar com os adeptos. E tínhamos sempre o estádio composto.» Em Vítor Pereira, a marca mais vincada é «a busca da perfeição». «Prepara tudo ao pormenor, enquanto o Leonardo Jardim dá-nos um ou dois caminhos e depois deixa-nos ir.»

Pereira: capaz de se prejudicar para ajudar um atleta

Valença conheceu Jardim no Camacha, em 2000. Seis anos depois chegou ao Sp. Espinho pela mão de Vítor Pereira. E mesmo na gestão dos níveis de pressão, assegura o médio dos tigres, os técnicos se afastam diametralmente. 

«Para o Jardim a pressão de um jogo decisivo é relativa. Até parece que só vai para mais uma pelada. É frio e confiante. Aposta mais nas conversas individuais do que na tradicional palestra coletiva», conta Valença. 

E Vítor Pereira? «É um paizão para os jogadores, carinhoso e afetivo. Quer ver a equipa sempre feliz e sofre quando isso não sucede. Nos dias de jogo está sempre muito agitado, stressado, aposta no discurso de conquista, com intensidade. É capaz de se prejudicar para salvar um jogador.»

Diferentes, sempre. Em todos os momentos da preparação semanal. Em todos os instantes anteriores ao apito inicial do árbitro. 

Jardim: power point e quadros em papel nas paredes

Bruno Conceição esteve com Vítor Pereira na Sanjoanense e Leonardo Jardim no Beira-Mar. O testemunho atesta as impressões supracitadas. «O Vítor surpreendia o plantel com estudos completos dos adversários, numa altura em que isso era novidade por ali», conta o atual guarda-redes do Arouca.

«O Leonardo também disseca os opositores. Tem o Miguel Moita (28 anos) na observação aos outros clubes. Depois, o mister apresenta um power point nas palestras e afixa nas paredes quadros em papel com lances de bola parada e tudo o mais.»

Quem é o melhor? Quem está mais habilitado a conduzir a equipa à glória? Difícil, e injusto, responder objetivamente. «O Vítor Pereira quer atingir o céu, quer sempre o melhor. E acho que vai atingir isso. Ele sempre disse que ia chegar a um grande e já chegou», sublinha Vítor Alves.

«Apostei que o Leonardo Jardim chegaria em dois anos a este nível. Acertei em cheio», reage Valença.