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quinta-feira, 1 de março de 2012

Vandinho: «Sp. Braga é candidato ao título»


JOGADORES BRACARENSES PENSAM "JOGO A JOGO"


Vandinho, jogador do Sp. Braga entre 2004 e 2010, acredita que o clube minhoto tem capacidade para se sagrar campeão nacional já esta temporada.

"Existem muitas possibilidades. Lá dentro o pensamento é jogo a jogo. Pelo que o Sp. Braga tem feito, a minha opinião, como adepto, é que sim [é candidato]", disse em entrevista à Rádio Renascença, esta quinta-feira.

O médio brasileiro assume que os atuais três primeiros classificados do campeonato são sem dúvida as equipas mais fortes em Portugal: "Sp. Braga, Benfica e FC Porto são as equipas mais fortes do futebol português e há outras pessoas que devem pensar o mesmo. O Sp. Braga montou um grupo forte com jogadores experientes e com outros que chegaram e ajudaram. Ali vive-se como uma família. É muito importante, para conquistar alguma coisa, ter uma família no balneário. O Sp. Braga sempre foi assim, crescendo de ano para ano e se não for esta temporada, acredito que seja na próxima".

Sobre o clássico Benfica-FC Porto, Vandinho espera um empate para que os arsenalistas se possam aproximar na classificação de águias e dragões: "Vai ser um jogo muito equilibrado e vai ser decidido em detalhes. Para o Sp. Braga, o empate seria o resultado mais positivo".

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nuno Gomes: «É muito cedo para se falar do título»


REJEITA CRIAR "FALSAS EXPECTATIVAS"


O avançado Nuno Gomes assegura que o Sp. Braga tem valor para ombrear com FC Porto e Benfica, mas rejeita "criar falsas expectativas" na luta pelo título, apesar dos curtos 3 pontos para os rivais.

"Se calhar, um empate [sexta-feira no Benfica-FC Porto] permitia ao Braga chegar mais perto do primeiro lugar, mas para isso temos de ganhar ao Nacional. É o que mais nos importa. Não queremos criar falsas expectativas aos nossos adeptos nem a nós próprios. Pensar na visita ao Nacional e esquecer que há um dérbi pois não somos nós a jogar. Apenas no dia a seguir e é aí que temos de nos concentrar", frisou.

O antigo ponta-de-lança do Benfica defende que "ainda é muito cedo para se falar do título", entendendo que persiste uma distância entre os arsenalistas e os três grandes, nomeadamente em termos financeiros: "Gastam milhões para reforçar a equipa, pelo que partem em vantagem".

Mais uma vez nos últimos anos, o Sporting de Braga intromete-se na luta pelos primeiros lugares, mas esta é uma situação que não surpreende o experiente futebolista.

"Não posso dizer que estou surpreso [com a carreira do Braga], pois tem um plantel recheado de grandes valores e uma estrutura muito forte por trás da equipa. Ao nível dos grandes. Sabia que éramos capazes de realizar um campeonato destes. Estamos todos de parabéns", vincou.

Nuno Gomes não se furtou, no entanto, a falar do 'clássico': "Que seja um bom espetáculo, que as equipas se saibam respeitar e que não haja problemas dentro ou fora de campo".

Nuno Gomes admite que conquistar o título seria "muito bom" para si, "mas acima de tudo, ótimo para o Braga, que tem crescido muito nos últimos anos".

O experiente futebolista revelou apenas algum desconforto pelo facto de não jogar mais vezes, reafirmando a determinação em "ajudar o Braga atingir os seus objetivos" - no final da época, decidirá o rumo a dar à sua carreira.

Mais minutos em jogo ajudariam a chamar a atenção de Paulo Bento, algo essencial para o avançado cumprir o sonho de fazer parte das opções do selecionador para o Euro'2012.

"Não vou dizer que não gostava. Espero e vou fazer tudo para estar. Somos muitos a querer estar. Sou mais um. Vou lutar com tudo o que tiver. Neste momento não foi ninguém do Sp. Braga [ao jogo particular da seleção na Polónia], mas estou convencido que no Europeu vão estar alguns jogadores do clube", concluiu.

Nuno Gomes: «Empate no Benfica-FC Porto seria positivo»


JOGADOR COMENTA CLÁSSICO DA LUZ





Nuno Gomes está a torcer por um empate no clássico entre Benfica e FC Porto, na sexta-feira, um resultado que podia permitir aos minhotos uma aproximação aos dois líderes do campeonato.


"O empate entre Benfica e FC Porto seria positivo porque permitir-nos-ia chegar mais perto do primeiro lugar. Mas mais importante do que isso é o nosso jogo. Temos de vencer o Nacional [domingo, às 18 e 30] e esquecer o clássico", afirmou o avançado do Sp. Braga à margem da cerimónia de apresentação da Liga Zon Kids.


Acerca da vantagem sobre o Benfica pelo facto de as águias ainda estarem na Liga dos Campeões, Nuno Gomes esclareceu: "Não sei se temos ou não mais vantagem porque também temos a meia-final da Taça da Liga, competição que também queremos vencer. Mas o imediato é o jogo com o Nacional, que será um jogo bastante difícil e para o qual teremos de estar completamente concentrados".




Hugo Viana: «O mais lógico é pensar jogo a jogo»


MÉDIO DO SP. BRAGA REFUTA CANDIDATURA AO TÍTULO


O médio Hugo Viana, do Sporting de Braga, considera que "o mais lógico é pensar jogo a jogo" e não assumir que a equipa é candidata ao título de campeão nacional.

Depois da goleada (4-0) sobre o Vitória de Guimarães no dérbi minhoto de segunda-feira, o Sporting de Braga reduziu para três os pontos que o separam do duo que comanda a Liga, FC Porto e Benfica, e há jogadores, como Lima, que assumiram já que a equipa bracarense é candidata ao título.

Contudo, Hugo Viana alinha pelo discurso oficial dos responsáveis do clube e lembra que no princípio da época foi estipulado que o objetivo passa por acabar nos primeiros quatro lugares.

"Como qualquer jogador de qualquer equipa, se pudermos acabar em segundo ou terceiro, tudo faremos para que isso aconteça, mas não é lógico estarmos a pensar se somos candidatos ao título. O mais lógico é jogar jogo a jogo, nesta casa não se pensa de outra maneira. Fomos educados a pensar assim e assim continuaremos", afirmou.

Viana destacou ainda as diferenças de orçamento entre o Sporting de Braga e os chamados "três grandes" para justificar a sua posição.

"Se formos ver o que os três grandes gastam e o que nós gastamos para a época, acham que é justo estarmos a assumir ser candidatos? Nós não gastamos nem um terço do que gastaram as outras equipas", notou.

Para o médio esquerdino "faltam muitos jogos" para o final do campeonato e apesar da "confiança" no trabalho desenvolvido e do apoio dos adeptos "há que ter cautela".

"Estamos inseridos em duas provas, temos a meia-final da Taça da Liga [fora, com o Gil Vicente] e temos já uma saída complicada ao Nacional. Vamos com calma, sem levantar muito a cabeça, nem cantar muito de galo como se costuma dizer, porque a época é longa", reforçou.

Sexta-feira, no arranque da 21.ª jornada, o Benfica recebe o FC Porto, os dois primeiros classificados, mas Viana frisa que o "clássico" não interessa se o Braga não fizer o seu trabalho - vencer - no sábado, diante o Nacional, na Madeira.

Sobre a seleção nacional, o jogador não considerou que o jogo de segunda-feira prejudicou a sua chamada para o jogo particular de Portugal com a Polónia, de quarta-feira.

Hugo Viana estava pré-convocado, juntamente com mais quatro colegas de equipa, sendo que se tivessem sido chamados falhariam o dérbi minhoto.

"Pelo que vi nas declarações do selecionador, nenhum jogador do Braga foi convocado por razões técnico/táticas. Gostava de ser chamado ao Euro'2012, mas tudo dependerá de como se acaba a época. Temos que continuar confiantes, a fazer o bom futebol que estamos a praticar e, se no Braga correr bem, as oportunidades irão aumentar de representar os respetivos países", disse.


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Hugo Almeida: «Temos que saber aproveitar o apoio dos nossos adeptos»


BESIKTAS RECEBE GENÇLERBIRLIGI NO DOMINGO

O Besiktas, adversário do Sp. Braga nos 16 avos-de-final da Liga Europa, defronta no próximo domingo, em casa, o Gençlerbirligi, em jogo a contar para a 27.ª jornada da Liga turca. Hugo Almeida, que entrou na segunda parte na vitória do Besiktas em Braga na última quinta-feira, mostrou-se confiante numa boa exibição da equipa comandada por Carlos Carvalhal.

"Vimos de um resultado positivo contra o Sp. Braga na Liga da Europa e queremos manter o caminho das vitórias. O Gençlerbirligi está logo atrás de nós na classificação e vão querer enfrentar-nos de igual para igual. Temos que saber aproveitar o apoio dos nossos adeptos para conseguir um o resultado positivo", afirmou Hugo Almeida, em declarações à sua assessoria de imprensa.

O Besiktas situa-se no 3.º posto da tabela, com 46 pontos.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

«Foi um alívio voltar a jogar!», suspira Ukra


Nove meses após ter atuado pela última vez oficialmente, Ukra regressou à competição frente ao Portimonense. 


O extremo está fisicamente recuperado e concentrado em ajudar o SC Braga na prossecução dos seus objetivos na presente temporada, que passam pelo melhor lugar possível na Liga, ir o mais longe possível na Liga Europa e conquistar a Taça da Liga.


— Como se sentiu após uma longa ausência?
— Senti-me bem. Tinha alguma ansiedade, mas as coisas correram bem, especialmente porque o SC Braga venceu o Portimonense e conseguiu o objetivo de estar nas meias-finais. Passei por momentos difíceis, mas nunca perdi a esperança. Sinto-me em plenas condições e só espero ajudar o clube no que resta da temporada.


— Foi, portanto, uma enorme alegria quando entrou em campo...
— Claro. É um momento que esperava há algum tempo e foi um alívio voltar a jogar. Foram seis meses em recuperação e tive de ser novamente operado, mas agora as coisas estão bem e isso deixa-me satisfeito.


— Com tantas reticências em torno da sua lesão, alguma vez questionou-se se seria inscrito pelo SC Braga no mercado de janeiro?
— Nunca porque sabia que iria recuperar. Fui sempre muito bem tratado pelo clube e em especial pelos responsáveis do departamento médico, que foram inexcedíveis a ajudarem-me na recuperação. Estou-lhes grato pelo que fizeram por mim.


— E o FC Porto, com quem tem mais dois anos de contrato, procurou inteirar-se da sua condição física durante o período em que esteve lesionado?
— Falava frequentemente com pessoas ligadas ao FC Porto, que queriam saber de mim. Mas, neste caso concreto, fui tratado de uma forma muito boa pelo departamento médico do SC Braga.


— E pensa regressar ao Dragão na próxima época?
— Sinceramente nem tive tempo para pensar nisso. A minha disponibilidade, agora, é ajudar o SC Braga a conseguir os seus objetivos. Gostava de ganhar títulos aqui. Temos a ambição de ganhar a Taça da Liga e estávamos bem lançados.



sábado, 14 de janeiro de 2012

Barroso “Tenho pena de nunca ter medido a velocidade do meu remate"


Fez muitas vítimas em Portugal, pelo Sp. Braga e pelo FC Porto. O Sporting era um dos alvos preferidos


Falar em Barroso é falar em remates que furavam as redes e as luvas dos guarda-redes. Foi marceneiro até assinar o primeiro contrato profissional com o Sp. Braga, aos 18 anos. Diz que construiu a carreira com as próprias mãos, sem empresários nem ajudas. Mas foi a força do pé direito que o deixou na história do futebol português.


Quando é que percebeu que chutava com tanta força?
Foi logo em miúdo. Naquela altura jogava-se futebol na rua e na escola, nos recreios. As bolas boas eram poucas. E as que havia, além de serem fracas, eram muito pesadas. Sempre que jogávamos tínhamos de as lavar para não se estragarem. Antes não havia tantos carros e a gente jogava muitas vezes na rua.


Chegou a rebentar muitas bolas?
Quando chutava contra as paredes rebentava algumas, rebentava, eheh.


E quando passou a jogar mais a sério deu logo muito uso ao pontapé?
O primeiro ano que joguei futebol foi nos iniciados do Sp. Braga. Marquei bastantes golos, tanto de livre como em remates fora da área. Com 13 anos foi a primeira vez que joguei futebol federado. Nunca tinha jogado num campo real, de futebol, só na rua e naqueles campos de cultivo que havia antes. Fui às captações do Sp. Braga e acabei por ficar.


A que posição jogava na altura?
Médio, era médio interior esquerdo.


Treinava muito a marcação de livres?
Na formação, sempre: finalização, remates de longe. No futebol profissional, menos, era mais para aperfeiçoar, porque há muitos dias em que as coisas também não saem bem e aí não vale a pena insistir.


Sabe quantos golos marcou ao longo da carreira?
Se não me engano, tenho entre 58 e 60.


Desses, quantos foram de bola parada?
Não sei, mas digo já: tenho pena é de nunca ter feito um golo de cabeça! Até era um jogador forte no jogo aéreo, mas os treinadores só me usavam nesse jogo mais para defender.


E com o pé esquerdo, marcou algum?
Com o pé esquerdo… que me lembre, também não, mesmo tendo um bom pé esquerdo. Penso que não era cego.


Vamos até ao ponto de partida:estreou-se na Liga num dérbi minhoto, certo?
Foi em Guimarães, num Vitória 0, Braga 0 [a 5 de Maio de 1991]. Na altura jogava no satélite do Sp. Braga, o Arsenal, e o treinador que me lançou foi o Carlos Garcia. Joguei 15 minutos.


Nessa altura, a rivalidade com o Vitória já era muito grande?
Já, já. Sempre houve uma grande rivalidade e vai continuar a haver. Mas são dois grandes clubes. Não tenho dúvidas quanto a isso.


Defrontou muitas vezes o Sporting, com quem o Braga joga este domingo. Lembra-se da primeira?
Não tenho a certeza…


Foi em 1992, em Alvalade.
Então marquei um golo!


Não, o primeiro golo foi só em 1995.
É isso, então foi aí, foi aí.


Perdeu 3-1 em Alvalade, mas marcou o golo do Braga, num livre a 40 metros da baliza.
É isso. Mas graças a Deus, o Sporting sempre foi um bom cliente para mim. Marquei-lhes cinco ou seis golos.
Nas minhas contas estão cinco. Tem ideia dos outros? O segundo foi mais caricato [pelo FC Porto, numa vitória do Sporting nas Antas por 2-1]. Teve uma ajudinha de um guarda-redes do Sporting [De Wilde].
Ajudinha, não! Ele é que não conseguiu segurar a bola, tal como os outros não seguravam.


Era como Cajuda lhe dizia, “Bastava acertar na baliza”?
Ele dizia-me isso, sim, que mesmo que fosse na direcção do guarda-redes, ele dificilmente agarrava a bola. De facto, às vezes as pessoas diziam que eu nem tinha a noção da velocidade que a bola levava.


Nunca lhe mediram isso?
Sinceramente tenho pena, mas não. Agora vê-se muitas vezes isso. Na altura não havia nada, só a bola e o campo, e a transmissão televisiva, muitas vezes, era fraca. Gostava de ter visto. Ainda por cima rematava com bolas que eram muito mais pesadas. Imagino com uma destas!


De pontapé em pontapé foi parar ao FC Porto. Como surgiu a transferência?
O mais caricato é que se falava no meu nome para qualquer um dos grandes, mas o mais interessado era o Benfica do Artur Jorge. Certo é que as conversas eram sempre entre presidentes. Do Benfica ninguém falava comigo, a não ser o professor Neca [adjunto de Artur Jorge], que me telefonava às oito da manhã.


Às oito da manhã?
Sim, porque sabia do interesse do FC Porto. Ligava-me antes do treino a dizer para eu ir para o Benfica. Eu respondia-lhe que não dependia só de mim. Também me lembro de se falar que eu ia para o Sporting. Foi nesse ano [1995] que marquei o golo ao Costinha. Quando ia aquecer, o Sousa Cintra mandou chamar-me ali à entrada do túnel. Depois perguntaram ao Queiroz se eu interessava ou não ao Sporting. Ele, como toda a gente tinha visto o Sousa Cintra falar comigo, disse que já não interessava.


Porquê?
O que ele queria dizer era que o segredo é a alma do negócio. Depois fui para o FC Porto. As coisas foram rápidas e eles foram muito correctos comigo. Ainda para mais, na altura, o Sp. Braga precisava muito de dinheiro e o Benfica, pelo que eu sabia, só dava quatro jogadores em troca. O FC Porto pagou 500 mil euros. As pessoas do Sp. Braga pediram-me para ir para o Porto porque precisavam do dinheiro para pagar salários e tudo.


E foi duas vezes campeão em dois anos.
O primeiro ano foi muito bom. Ganhei a Supertaça ao Benfica, com 1-0 nas Antas e 5-0 na Luz. Depois, no campeonato, só comecei a jogar à terceira, quarta ou quinta jornada, porque os resultados não estavam a aparecer. Fiz uma grande época, fomos aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e fomos campeões – foi o primeiro tri da história do FC Porto. No ano a seguir, enfim, estava a contar que as coisas fossem melhores. Não foram, porque na altura começaram as SAD e foi contratado o jogador Doriva, que custou 700 mil contos (3,5 milhões de euros). A partir daí só jogava quando ele não podia. Acabei por fazer só nove jogos, marquei um golo, se não me engano. E depois fui embora. Disseram-me que não era pelo meu valor, mas por outras situações.


Quais?
Foi na altura em que vieram o Peixe e o Costinha, que tinham rescindido com o Sporting [foram para o Dragão por troca com Bino e Rui Jorge]. A partir desse momento, para entrarem uns tinham de sair outros, não é? Foi aí que saí.


A bem ou a mal?
Nesse aspecto, nunca tive problemas ne-nhuns. As pessoas foram correctas comigo, eu também fui assim com elas. Nada a apontar. A relação com o presidente, por exemplo, sempre foi boa. O presidente do FC Porto é um presidente espectacular e vai continuar a sê-lo.


Ele disse alguma coisa?
Ele, não. Falaram outros. Mas nunca ia cuspir num prato onde comi! Nunca na minha vida.
Antes de regressar ao Sp. Braga ainda faz uma época na Académica...
Sim, na altura em que saí do Porto havia várias hipóteses. Uma delas era o Celta de Vigo. Um dia estava em La Guardia, na Galiza, a comer um mariscozito, e ligaram-me os jornais de Vigo a falar da transferência. Não sabia de nada. Também tive o interesse do Marítimo, que era treinado pelo Augusto Inácio. As coisas não se proporcionaram e optei pela Académica, com o Raul Águas. O meu primeiro jogo até foi contra o Sporting, empatámos 2-2 (bis de Maurício; Simão e Edmilson).


E depois volta a casa.
Estava em Coimbra, acabava o contrato. No final da época, o presidente João Gomes de Oliveira ligou-me, queria que regressasse porque o balneário estava complicado. Quando saí do Braga, era capitão e lembro-me de o presidente dizer assim: “O treinador Manuel Cajuda diz que pode não vir mais nenhum reforço, mas tu tens de vir.” Eu tinha outras opções, mas o coração falou mais alto. Vim de Coimbra com o meu amigo e falecido Pedro Lavoura, que também foi para o Sp. Braga.
E na segunda época depois de voltar, em 2000/01, acaba no quarto lugar.


É o ano em que o Fehér joga em Braga.
E foi a melhor época dele em Portugal, marcou 14 golos no campeonato.
E houve uma parte da época em que nem sequer jogou! Os piores momentos da minha carreira foram, sem dúvida, perder o Lavoura e o Fehér. Os melhores foram vários, mas trocava-os se desse para não lhes ter acontecido aquilo. O Lavoura morreu uma semana antes do início dessa época. Íamos jogar com o V. Guimarães na primeira jornada. E ganhámos por 1-0. Sabes quem marcou? O Fehér.


Uns tempos mais tarde, quando faz um golo ao Sporting, levanta a camisola para dedicar o golo ao Fehér. Porquê?
A foto desse momento está na casa do Fehér na Hungria, oferecida pelo Sp. Braga. Fiz isso porque o Miklos tinha ido do Braga para o FC Porto e naquela altura não jogava. Acho que não aceitava o contrato e depois foi posto de lado até ir para o Benfica. Nesse jogo, como ele estava no estádio, fiz uma dedicatória na camisola [“Para ti, Fehér”]. Mas já que estamos numa de tristezas e alegrias, aproveito para falar na Taça de Portugal, em 97/98, que ganhei pelo FC Porto... ao Sp. Braga. Ao ver aquela gente toda de Braga, não foi nada fácil. Mas se estou numa casa tenho de lutar por ela, não é?


É, claro. Depois ficou no Sp. Braga até ao fim da carreira, em 2004/05. E despede-se com outro quarto lugar.
Nesses seis anos conquistámos dois quartos lugares, um quinto e fomos à Europa. Foram lugares de grande mérito. E as condições em 2000, por exemplo, não tinham nada a ver com o que existe agora.


Pois é. Esteve na mudança do 1.º de Maio para o novo estádio. Como foi?
As condições não têm nada a ver com as de antigamente. Antes tínhamos de ir treinar fora, a campos vizinhos, muitas vezes até no pelado, porque não se podia estragar o relvado. Depois joguei dois anos no novo estádio. Uma coisa que tentei ver se conseguia era marcar lá um golo, mas não consegui. Estive quase, mas não deu.


Ainda vai muitas vezes ao estádio?
Sempre que posso. Agora, como tenho treinos e jogos em Vieira do Minho, muitas das vezes não posso ir, sobretudo quando é à semana.


E que tal vai essa carreira de treinador?
As pessoas reconhecem o meu trabalho, respeitam-no. Isso é o mais importante.
Mas no ano passado entrou já perto do fim da época e não evitou a descida do Vieira aos distritais.
Foi o último mês, as coisas estavam muito difíceis. Para mim era fácil nem ter ido, mas nunca tive medo dos problemas. Fiz o meu trabalho, as pessoas gostaram e agora vamos continuar à espera de uma oportunidade para outros voos. Ninguém vai a lado nenhum se não lhe derem oportunidades. Quando acabei a carreira, já tinha o segundo nível de treinador. Depois fiz o terceiro e, em 2004, o quarto com o Paulo Bento, o Paulo Sousa, o Rui Barros, o Rui Vitória, o Luís Miguel, que agora esteve no Paços de Ferreira, o Paulo Alves, o Rui Bento... A qualidade está lá, é preciso é oportunidades.


Gostava de treinar o Braga?
Claro que é o sonho. Mas em primeiro lugar não depende de mim. Agora sei que ainda tenho de continuar a trabalhar. Penso que não sou nem o melhor treinador nem o pior. Se algum dia me derem a oportunidade, posso mostrar o meu valor.


Fale-me lá daquela história das diarreias que os Gato Fedorento aproveitaram há uns tempos para ridicularizar.
Mas o que eu tinha naquela altura, de facto, era diarreia. É diarreia! É o que se diz em português: di-a-rre-ia. Não é mais nada, é diarreia. E as pessoas gostaram disso, ainda bem. Também gostaram dos chineses do Paulo Futre e espero que, de mim, também tenham gostado da diarreia. Agora até eu me rio quando vejo isso. As pessoas é que não estão habituadas a que se chame as coisas pelos nomes!







sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nuno Gomes (Entrevista)





 Saiu do Benfica porque queria jogar mais e continua a não gostar de ficar de fora. Com o Sporting espera um bom resultado e quer lutar pelo título.
Aos 35 anos, Nuno Gomes continua a querer a titularidade em cada jogo e recupera a ideia de que "ninguém gosta de ficar de fora". Fala de Braga com carinho e, sobre o clássico de domingo com o Sporting, pesa bem as qualidades do adversário. Reafirmando-se benfiquista, percebe-se que a saída da Luz deixou marcas. Já o final de carreira ainda não é assunto que o deixe sem sono.

Depois de tantas épocas no Benfica, encontrou alguma coisa que o surpreendesse na chegada ao Minho?
 Não, conhecia o clube por tê-lo defrontado tantas vezes e encontrei em Braga ambição e competência, uma equipa em ascensão que nada deve aos grandes, sentindo-se no dia-a-dia a vontade de ser cada vez mais forte. 


Como é a experiência de trabalho com o técnico Leonardo Jardim?
Boa, o treinador também é novo no clube, embora se enquadre na imagem deste projecto que referi, ambicioso e desejoso de crescer.

Na Luz era suplente, em Braga também tem estado no banco e já referiu várias vezes que não gosta disso. Como tem convivido com essa situação?
Ninguém gosta de ficar de fora, mesmo que nenhum jogador tenha no contrato uma cláusula a indicar que será titular. As opções pertencem ao treinador que tenta escolher aqueles que lhe parecem estar melhor a cada momento. A minha meta é a habitual: quero jogar cada vez mais e também por isso decidi sair do Benfica ...

Pensa deixar Braga por ser suplente?
Não, sinto-me bem aqui, as pessoas tratam-me com carinho, não há razões para sair.

“Se houvesse mais verdade, as pessoas não ficariam tão revoltadas”, opina sobre o País.
Embora acredite na recuperação económica de Portugal, o jogador concorda que vai exigir um esforço histórico da população.

Que análise faz acerca da crise económica em que o País vive?
Em parte, percebo aquilo que é preciso fazer: num contexto difícil, temos de gerir melhor o dinheiro e os portugueses terão de ser muito pacientes para enfrentar as dificuldades. Ao mesmo tempo, porém, quem governa não deve mentir aos cidadãos e, muitas vezes, prometem-se e dizem-se coisas que, ao fim de alguns meses, já não são bem assim. Se houvesse mais verdade as pessoas não ficariam tão revoltadas.

Acredita que Portugal vai ser capaz de recuperar?
Quero acreditar que sim, mesmo conhecendo as dificuldades. Os portugueses mostraram noutras situações que têm um modo especial de reagir em condições adversas. Somos um povo com uma força inacreditável e, por isso, sinto-me optimista.

É investidor?
Sou, mas não na bolsa. Tenho investido em imobiliário sem correr riscos.

Quando saiu do Benfica disse que pretendia jogar mais uma época: já decidiu se esta é a última temporada?
Não estou preocupado com isso e as duas hipóteses são viáveis. Se tiver condições para jogar mais um ano, cá estarei; se acabar a carreira não haverá dramas.


Avançado diz que Barcelona é um hino ao futebol, mas também elogia Mourinho.
Nuno Gomes prefere Ronaldo, mas admite que Messi está muito próximo.

Quem foi o melhor companheiro dentro de campo?
João Pinto, porque era um jogador de uma inteligência prodigiosa, além de extraordinário executante e, para um avançado, ter alguém assim ao lado ou no apoio torna a vida muito mais facilitada.

Prefere Ronaldo ou Messi?
Ronaldo, até porque nunca treinei ou joguei com Messi. Por aquilo que tenho visto, não é difícil admitir que Messi é impressionante e estão muito próximos em termos de qualidade, embora tenham características diversas. Cristiano Ronaldo é mais explosivo e poderoso, a Messi ninguém tira a bola. No fundo são dois fenómenos do nível do brasileiro Ronaldo.


Diário Económico



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

«Domingos merece ser aplaudido» - Lima


Lima está com o pé quente. Melhor marcador do SC Braga, o brasileiro leva 12 tentos apontados em 24 jogos e nos últimos cinco desafios do Campeonato cantou por sete vezes a música do golo. Nada mau para quem na pré-época se propôs atingir a marca dos 30 golos. «É um objetivo difícil, mas nada é impossível. Faltam muitos golos, mas o importante é o empenho. É bom os golos estarem a sair, não só por isso, mas também pelo facto da equipa estar a praticar um bom futebol, a ganhar jogos dentro e fora de casa. Essa é a melhor recompensa do nosso trabalho.»


Animado pela campanha da equipa, o atacante projeta o desafio com o Sporting tendo como ponto de referência o último lugar do pódio. Leões e Guerreiros partilham o terceiro lugar, mas Lima quer deixar o Sporting para trás e marcar pela primeira vez ao emblema de Alvalade: «É um clube considerado grande ao qual ainda não tive a felicidade de marcar. É uma grande equipa. Vai ser um jogo difícil, mas o Braga tem pretensões de vencer e continuar a lutar, no mínimo, pelo terceiro lugar, para chegar mais uma vez à Liga dos Campeões. Toda a equipa vai estar concentrada para fazer um grande jogo.»


O reencontro com Domingos Paciência será especial. Lima já se cruzou com o ex-treinador em Alvalade, a 20 de Novembro, no jogo da Taça de Portugal, onde, inclusivamente, se registou curiosa troca de palavras. Tudo num quadro de respeito, esclarece Lima. «Foi o calor do jogo, isso sempre acontece em jogos com o Sporting. Temos um carinho muito grande pelo Domingos. Foi um treinador que nos ajudou muito e nós também o ajudámos a ele. O respeito pelo mister é total.»


Precisamente por tudo o que deu ao SC Braga, Lima considera que Domingos Paciência deve ser recebido com carinho pelos adeptos minhotos: «Vai ser aplaudido, porque fez um grande trabalho aqui. Acho que merece o respeito de todos.»





terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Alan "Os outros podem escorregar"


A teoria de que o actual plantel do Braga dispõe de piores recursos do começa a perder validade. À luz dos números, a equipa soma agora mais oito pontos do que na época passada e quase se aproxima do desempenho de 2009/10, quando acabou o campeonato a discutir o título com o Benfica. As turbulências parecem ter batido asas e a segunda vitória fora de casa, em Olhão, devolveu a confiança ao grupo.

Elemento inspirador numa equipa habituada a surpreender, Alan até já admite um Braga a bater-se por mais do que um lugar de acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.


Com a vitória em Olhão e consequente aproximação ao Sporting, com a distância encurtada para dois pontos, será possível ao Braga repetir a participação na Liga dos Campeões?


O nosso objectivo é esse, buscar sempre mais. Estamos em quarto, vamos em busca do terceiro lugar e por aí em diante. Foi muito positiva a última vitória. Virámos o jogo e a união da equipa foi mais uma vez demonstrada.


Quem está mais forte: Benfica, FC Porto ou Sporting?


Os mais fortes são o Benfica e o FC Porto. O Sporting ainda tem algumas oscilações, enquanto o Benfica e o FC Porto, apesar de não fazerem grandes jogos, lá vão ganhando.


O Artur (Benfica) disse recentemente que em Braga acontecem coisas do outro mundo… Esse é o grande trunfo do Braga: nunca perder em casa?


Sem dúvida. Em nossa casa, somos nós a mandar. Agora só temos de passar isso também para fora de casa.


A vitória mirabolante em Olhão também foi de outro mundo?


Não foi uma vitória do outro mundo, foi antes uma segunda parte do outro mundo, porque a primeira foi muito má. Reflectiu a força da equipa. Ao intervalo conversámos, reflectimos sobre o que aconteceu de mau na primeira parte e tratámos de corrigir na segunda. O treinador não disse nada de especial: identificou os erros cometidos e motivou os jogadores. Foi assim que demos a volta por cima.


Qual foi o grande acontecimento de 2011?


A reviravolta em Olhão. No fim da época, esse resultado vai fazer a diferença. São três pontos muito importantes e tiveram grande impacto no grupo pela forma como foram conseguidos. Muita gente não acreditava, mas nós acreditávamos e demos a volta ao resultado.


Esqueceu a participação na final da Liga Europa...


É claro que foi marcante. Temos que pensar em chegar lá de novo. Esse meu esquecimento deve-se à nossa forma de trabalhar. Foi um feito muito bonito, que infelizmente não ganhámos, mas olhamos sempre em frente. Em futebol não se pode dormir, caso contrário, o comboio passa e a gente fica para trás. Eu próprio costumo dizer aos meus amigos que águas passadas não movem moinhos. Temos que seguir em frente. Se ficarmos agarrados ao passado, não aproveitamos o presente e o futuro.


Depois de ter acabado o campeonato em segundo lugar e ter disputado a final da Liga Europa, o que falta ao Braga para conquistar o título?


Queríamos ir à final da Taça de Portugal e não conseguimos. Resta-nos o campeonato, a Liga Europa e a Taça da Liga. Há que continuar a trabalhar e continuar a carregar no pedal. Pode ser que Benfica, FC Porto e Sporting escorreguem. Para já, não temos prioridades, mas assumo que a Taça de Portugal era uma prioridade no começo da época.


O que correu mal na eliminatória com o Sporting?


Pecámos um pouco na finalização. Começámos bem, mas o Sporting fez dois golos e controlou o jogo. Em termos globais estivemos bem, simplesmente não concretizámos as oportunidades.


Leonardo Jardim já disse que não se pode comparar o actual Braga com o da época passada e até citou as ausências de Moisés, Rodriguez, Paulão e Léo Fortunato; dos médios Vandinho e Luis Aguiar e do avançado Matheus… De que jogador sente mais falta?


A equipa está a portar-se bem. Todos esses jogadores fazem falta, são todos muito bons, mas quem ficou tem dado boa conta do recado. Sou amigo de todos. Converso com eles sempre que posso. Falo habitualmente com o Matheus, o Vandinho e o Moisés. É difícil dizer se estaríamos melhor classificados com eles do nosso lado. São excelentes jogadores, mas há diferenças: a defesa foi praticamente toda trocada e o ataque está produzir mais do que na época passada.


Esse bom comportamento do ataque deve-se ao facto de apenas ter saído o Matheus?


Refiro-me ao comportamento global da equipa em termos ofensivos. Agora marcamos mais golos. Temos tido mais sorte na finalização, mas sorte também se procura trabalhando.


Os insultos racistas que denunciou constituem o episódio mais negativo da sua passagem por Portugal?


Estou cá há 10 anos e foi sem dúvida o episódio mais negativo. Já passou, é para esquecer. Não merece ser guardado.


O Artur sempre conseguiu promover um encontro entre o Javi García (Benfica) e o Alan?


Não aconteceu. É verdade que chegou a falar comigo sobre isso. Telefonou-me de propósito, mas recusei. Disse-lhe que estava tudo acabado e que não fazia qualquer sentido.


Sendo casado com uma portuguesa, natural de Viseu, pensa naturalizar-se português e representar a Selecção Nacional?


Não teria problema nenhum. Por acaso tenho passaporte português há uns cinco ou seis anos, mas nunca fui abordado nesse sentido. Ficaria muito feliz, pelos meus filhos, ambos são portugueses, e pela família e amigos que tenho em Portugal. Quando terminar a carreira, fico em Portugal, já não regresso ao Brasil. Já sou mais português do que brasileiro.


Quando se verifica que a equipa soma agora mais oito pontos do que na época anterior, em igual período, fica a impressão de que o clube até saiu a ganhar com tantas saídas…


Pelos pontos somados, é uma interpretação possível. É difícil dizer se o clube saiu a ganhar ou se saiu a perder. Como o campeonato está mais equilibrado este ano do que no ano passado, esses oito pontos a mais que somamos devem ser valorizados.


Dos jogadores mais novos, quem o surpreendeu mais?


O Baiano, o Paulo Vinícius e o Ewerton. O Nuno Gomes nem precisa de comentários. Eu combinava muito bem com o Baiano, o entrosamento era muito bom. Com o Salino, as coisas também têm corrido bem, até melhor do que a gente pensava: é um jogador muito rápido e desarma muito bem. Só que não é um lateral de raiz. Por vezes, até dá para confundir os adversários e também os jornalistas pela questão do penteado (risos).


Ewerton é dos jogadores com mais mercado. Concorda?


É um central com margem de progressão muito grande. É muito jovem e vai evoluir bastante.


Como é a relação do plantel com Leonardo Jardim: primeiro estranha-se, depois entranha-se?


Tem sido boa. Tem métodos diferentes do Domingos, mas nunca estranhámos. É uma excelente pessoa. No começo era fechado, mas depois tornou-se mais conversador. Já se pode falar numa relação de amizade entre o grupo e o treinador.


Os adeptos é que não têm gostado de alguns resultados, como aconteceu no fim dos jogos com o Leiria (derrota) e a Académica (empate). É compreensível ou já se trata de uma nível de exigência exagerado?


Os adeptos podem fazer o que quiserem. Eles reagiram assim, porque têm noção do nosso valor e acham que podemos dar sempre mais. Estão habituados aos êxitos das últimas duas épocas: fomos vice-campeões e fomos à final da Liga Europa. Estão bem habituados e as vítimas somos nós (risos). 




Até que idade pensa jogar?


Até sentir força nas pernas. Sinceramente, ainda não parei para pensar nisso. Tenho contrato com o Braga até 2014.


Quando Jorge Jesus comentou que o Alan chegou a ser hipótese para o Benfica, foi uma novidade ou já sabia disso?


Já tinha conhecimento disso. Julgo que o Benfica chegou a conversar com o Braga durante o Verão de 2010. Comigo, confirmo que conversaram. O Raul José (adjunto de Jorge Jesus) telefonou-me a perguntar se estaria disponível e depois não aconteceu nada. Só falaram comigo uma vez; depois já não percebi o que aconteceu.


Há dois anos esteve perto de se mudar para o Al-Sarjah (Dubai). Perdeu muito dinheiro?


Esse interesse do Benfica surgiu quase ao mesmo tempo do Al-Sarjah, há dois anos. O Al-Sarjah chegou a apresentar uma proposta concreta. Era um bom contrato, muito valioso, mas julgo que tomei a decisão certa ao permanecer em Braga. Só tinha mais um ano de contrato e aceitei renovar.


O Sporting foi outra oportunidade perdida em 2010?


Foi, já no tempo do Paulo Sérgio... Nada está perdido em futebol. Em termos de estrutura, o Braga equivale-se ao Sporting, Benfica e FC Porto. Nunca fiquei triste por essas transferências não se concretizarem. Ficava ansioso, mas depois seguia o meu caminho, trabalhando.


Projecta terminar a carreira ao serviço do Braga?


Nesta altura, não posso dizer que vou terminar a carreira no Braga, porque nem sei o dia de amanhã. Se isso puder acontecer, seria motivo de grande orgulho







quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Nuno Gomes já jogou mais do que em duas épocas no Benfica"


O Nuno Gomes é a sua terceira opção para o ataque?


Não. O Carlão e o Nuno Gomes são dois jogadores diferentes. A aposta em Olhão passou por dois jogadores mais rápidos para explorarmos a falta de velocidade dos centrais do Olhanense e o Nuno é um jogador mais de apoios. Naquele jogo a necessidade era outra. Mas os três jogadores [Lima, Carlão e Nuno Gomes] têm tido oportunidades e são importantes.


Nuno Gomes disse que queria jogar mais do que no Benfica. Sente algum desconforto do jogador?

Ele disse isso e conseguiu concretizá-lo, porque já jogou mais este ano em meia época do que em duas épocas no Benfica. Acredito que ele gostaria de ter mais utilização, mas eu tenho de gerir em função das necessidades do clube. Como profissional tem sido exemplar e não se tem queixado nem tem alterado o comportamento por ser mais ou menos utilizado.


A equipa poderá sentir a ausência do Djamal para a CAN?


Tem sido um jogador importante na estrutura da equipa, mas o Braga tem outras soluções, o Custódio e o Vinícius, que são excelentes jogadores e aguardam oportunidades. Confio plenamente neles.


O Hugo Viana tinha lugar na Selecção Nacional?


Respeito e admiro o Paulo Bento. Ele toma as opções consoante as necessidades da nossa Selecção. O Hugo Viana está a fazer uma excelente época, tornou-se num médio de ligação, já sabe defender e atacar, entra com mais frequência na área adversária e procura mais o remate. Se isso permitir que ele vá à selecção era bom para ele e para mim como treinador, que também tenho colaborado nessa boa época. O caso do Quim é igual.


Já que se está a falar da Selecção, como analisa o grupo de Portugal no Euro'2012?


Portugal tem tantas hipóteses como as outras equipas. Se pretende chegar perto da final, tem que superar estes adversários e penso que tem capacidade para isso.


E o que seria um bom Euro'2012 para Portugal?


Um bom campeonato europeu é chegar às meias-finais. Um excelente campeonato europeu é ser campeão.





"Não faço campanhas como outros treinadores"


Leonardo Jardim, treinador do Braga, concedeu uma longa entrevista de final de ano em que escalpelizou todos os temas inerentes à sua equipa e não só.

Como compara o Braga actual com o da época passada?

Não é fácil fazer comparações porque os plantéis são diferentes. Saíram muitos jogadores. A equipa deste ano teve essa dificuldade inicial de ter que organizar, conseguiu-o e depois as lesões limitaram-nos, sobretudo na defesa. Não é por acaso que o Braga, numa fase inicial, revelou uma organização defensiva muito boa e organização ofensiva menos boa, e agora inverteu-se um pouco isso. Já foram utilizados 11 jogadores naquele sector.

O registo actual deixa-o satisfeito e acredita na ida à Liga dos Campeões?

Nunca podemos dizer que estamos conformados com aquilo que temos. Gostaríamos de ter mais pontos neste momento. Sempre falei numa média de dois pontos por jogo. Era importante, mas não conseguimos. Se estamos em quarto, queremos o terceiro e assim sucessivamente.

Este Braga tem mais pontos e golos do que na época passada por esta altura...

Essas comparações são vocês que têm de fazer, que tipo de plantel o Braga tinha num ano e no outro. Para mim isso é pouco importante. Para mim, o mais importante é rentabilizar os activos.

Mesmo assim, tem sofrido algumas críticas dos adeptos. Como lida com isso?

Leonardo Jardim, treinador do Braga, concedeu uma longa entrevista de final de ano em que escalpelizou todos os temas inerentes à sua equipa e não só.

Como compara o Braga actual com o da época passada?

Não é fácil fazer comparações porque os plantéis são diferentes. Saíram muitos jogadores. A equipa deste ano teve essa dificuldade inicial de ter que organizar, conseguiu-o e depois as lesões limitaram-nos, sobretudo na defesa. Não é por acaso que o Braga, numa fase inicial, revelou uma organização defensiva muito boa e organização ofensiva menos boa, e agora inverteu-se um pouco isso. Já foram utilizados 11 jogadores naquele sector.

O registo actual deixa-o satisfeito e acredita na ida à Liga dos Campeões?

Nunca podemos dizer que estamos conformados com aquilo que temos. Gostaríamos de ter mais pontos neste momento. Sempre falei numa média de dois pontos por jogo. Era importante, mas não conseguimos. Se estamos em quarto, queremos o terceiro e assim sucessivamente.

Este Braga tem mais pontos e golos do que na época passada por esta altura...

Essas comparações são vocês que têm de fazer, que tipo de plantel o Braga tinha num ano e no outro. Para mim isso é pouco importante. Para mim, o mais importante é rentabilizar os activos.

Mesmo assim, tem sofrido algumas críticas dos adeptos. Como lida com isso?

Um treinador tem que saber lidar com a crítica e eu às vezes faço a comparação entre ser treinador e ser político. Às vezes temos que conquistar adeptos no desporto e na política temos que angariar votantes, mas para isso é preciso fazer campanha. Alguns fazem campanha, outros não fazem e eu normalmente invisto pouco na minha campanha. Prefiro a campanha dos atletas, do rendimento e do trabalho, algo que me trouxe até aqui.

Espera que os adeptos venham a compreender essa estratégia?

É a minha estratégia e eles têm que perceber. Foi o caminho e a forma de estar que tracei. Fui sempre reconhecido nos clubes em que passei pelo trabalho e pelo rendimento desportivo. Não foi pelas campanhas que fiz e vou continuar desta forma.

Tem uma personalidade forte. Já houve choques com o António Salvador?

As ideias do clube é que são importantes. O presidente, mais do que ninguém, é responsável pelo crescimento do clube e temos que trabalhar em conjunto. Temo-lo feito para o clube continuar a crescer.

É possível o Braga chegar ao título a curto/médio prazo?

Acredito. Acredito no trabalho sustentado e na evolução. Senão acreditasse nunca teria chegado à I Liga. O Braga tem ambição diária e neste clube a exigência é uma palavra de ordem.

Falta algo ao Braga para ser campeão?

Acho que não falta nada. Está num processo de crescimento que não tem limites, fruto da estrutura montada nos últimos sete/oito anos.

Qual é o seu limite?

Estou num bom clube, cumpri um dos objectivos da minha vida e quero crescer na carreira em Portugal e depois, se for possível, também experimentar outras culturas, campeonatos e ideias. O futebol é universal. Do Brasil à China, há muitos países diferentes.

Sabe o valor da sua cláusula?

Sei, mas não vou dizer.

Gostava de ver o Braga na final da Liga Europa?

Quem não gostaria? Mas para isso temos que ultrapassar o Besiktas, uma equipa recheada de internacionais. Temos a ambição de passar. Será uma eliminatória equilibrada.

Vão apostar muito na Taça da Liga?

Não sou de poupanças. Temos que gerir, mas sem abdicar de competições.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

«Braga está dentro dos propósitos que toda a gente traçou» - Leonardo Jardim


O treinador Leonardo Jardim reconhece que é fundamental vencer o Maribor para o SC Braga continuar a depender apenas de si na Liga Europa. Pelo meio, falou da contestação que treinador e equipa foram alvos após o jogo com a Académica, em Coimbra.


- Esta é uma partida determinante para o SC Braga?


- Sim, é uma partida fundamental para o nosso percurso e para aquilo que pretendemos alcançar. Em caso de vitória colocamo-nos num lugar de apuramento, independentemente dos resultados dos adversários.


- O facto da equipa ter chegado à final da Liga Europa na época passada tem o seu peso esta temporada?


- Para nós não. É normal que para adeptos e a comunicação social tenha um peso diferente. Fazendo uma análise cuidada do onze que jogou em Dublin, a actual equipa tem apenas três jogadores, dado que Custódio tem estado lesionado e Paulo César só agora regressou agora à equipa.


- Que SC Braga se pode esperar frente ao Maribor?


- Uma equipa que em termos estratégicos tenha uma postura dominante, com ambição de vencer e uma atitude forte, como tem acontecido até aqui.


- Fazendo um balanço do que tem sido a época até agora, o SC Braga está dentro daquilo que eram as suas expectativas?


- Depende sempre de quem analisar. No Campeonato, a equipa está em quarto lugar, tem uma média de dois pontos por jogo, o que é muito bom. Poucas equipas têm alcançado esta média nos últimos anos. Na Liga Europa depende exclusivamente de si para passar a fase de grupos. Na Taça de Portugal tem ambições... Estamos dentro dos propósitos que toda a gente traçou.


- Depois do que aconteceu no sábado, com a contestação dos adeptos em Coimbra e depois no Axa, no regresso da equipa, foi importante ter o presidente ao seu lado, no treino?


- Foi normal. O presidente é presença mais ou menos assídua nos treinos da equipa. Respeito ao máximo os adeptos, especialmente aqueles que vêem todos os nossos jogos e têm uma opinião imparcial. Todos queríamos ter mais pontos, ter resolvido a passagem da Liga Europa, mas não foi possível. Não por falta de dedicação e empenho, porque neste aspecto o grupo tem sido irrepreensível. Vamos continuar a trabalhar para sermos cada vez mais competentes e ter mais rendimento.


Leonardo Jardim (foto ASF)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Leonardo Jardim: «Criámos mais oportunidades de golo»

TÉCNICO LAMENTA FALTA DE EFICÁCIA

       Leonardo Jardim lamentou a falta de eficácia do Sp. Braga no empate frente ao Maribor (1-1), em jogo a contar para a Liga Europa.
       "Estamos tristes por não termos conseguido o nosso objetivo, que era vencer. Acredito que tudo fizemos, num jogo e num campo difíceis. Nos primeiros 15 minutos o Braga não teve um rendimento alto. Depois, teve o seu rendimento habitual e controlou o jogo. Foi a equipa que criou mais situações de golo, mas não teve a eficácia que permitisse obter outro resultado", afirmou o técnico bracarense, em conferência de imprensa.
     "A nossa preocupação é passar o grupo. Temos dois jogos em Braga que podem ou não dar a passagem, em caso de vitória. É para isso que vamos trabalhar. Se for necessário fazê-lo na Bélgica diante do Clube Brugge, na última jornada, fá-lo-emos. O Braga é uma equipa extremamente competente e pode pontuar em qualquer estádio", prosseguiu.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hugo Viana quer ambição



Notícia




Hugo Viana, capitão de equipa é o eco da voz do grupo no reforço da ambição do SC Braga para este jogo.

O SC Braga quer conquistar em Maribor 3 pontos sem a pressão de ser mais ou menos importante o resultado do jogo. Independentemente de tudo quer-se sempre a vitória:

“Tem o mesmo grau de importância. Caso tivéssemos ganho ao Brugge teríamos agora seis pontos e ganhando em Maribor faríamos nove. Tudo ficaria mais fácil em termos de qualificação. Queremos chegar o mais longe possível nesta prova e vamos procurar somar os pontos necessários.”

A isto advém sempre o facto do SC Braga carregar o título de finalista da edição anterior da prova.

“Este grupo tem mostrado que consegue ultrapassar momentos de forte pressão. Não podemos entrar em campo a pensar que somos o Braga finalista, mas, sim, que somos o Braga que quer ir longe na prova”.



A comitiva aterrou em Maribor ao início da tarde, com temperaturas bem agradáveis a rondar os 19ºC. As condições do Aeroporto é que já não são tão agradáveis quanto isso.

Uma pequena pista, com um edifício em obras de manutenção onde não existe, controle de passaportes nem saída de bagagem. Dir-se-ia: nada de novo nestas andanças.




A temperatura amena de fim de Verão depressa deu lugar à realidade do centro da Europa com os termómetros a baixarem drasticamente à hora do treino. Nada, no entanto, que se compare com o esperado para a hora do jogo onde as previsões apontam os 0ºC e a possibilidade de nevar (?!).



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Hugo Viana: «Já todos respeitam a força do Sp. Braga»

Entrevista Record





Comemora 10 anos de carreira com muitos altos e alguns baixos, reconhecendo o passo decisivo de ter regressado ao Minho, onde volta a sorrir e a sonhar como se fosse o menino campeão no Sporting aos 18 anos.
RECORD – Depois de duas derrotas consecutivas qual é a melhor solução para sair desta “mini crise”?
HUGO VIANA – A melhor solução é ganhar. As derrotas curam-se com vitórias. É importante fazermos sempre uma boa exibição no jogo seguinte e é com essa mentalidade que encaramos o 1.º Dezembro, um adversário que já encontrámos na época passada e que vai ser difícil, como acontece sempre nestas ocasiões da Taça. Temos todas as condições para passar à fase seguinte e é óbvio que sair de Sintra com uma vitória nos dará mais confiança para o jogo em Maribor.
R – Que condicionantes é que foram mais relevantes para estas duas derrotas consecutivas?
HV – Foram dois jogos completamente diferentes. Contra o Club Brugge, estando a ganhar e com as oportunidade criadas, era um jogo para ganhar com alguma facilidade. Empatar já seria mau e muito mau foi perder no fim. Com a U. Leiria foi também alguma falta de eficácia e um pouco de falta de confiança. Mas esses jogos já estão para trás. Podemos e devemos pensar nas coisas más e tentar corrigir já no próximo jogo, mas convém é pensar que podemos melhorar e corrigir tudo no jogo seguinte.