LC: Sp. Braga-Galatasaray, 1-2 (crónica)
Efeito borboleta, ondas de contágio. O tremor do perdão no ataque percorreu toda a estrutura da equipa, até se fazer sentir na defesa. O Braga tanto falhou na frente, que acabou vergado atrás por dois golos turcos. O incontornável Burak Yilmaz e o homónimo Aydin escreveram mais uma página de frustração na época arsenalista.
A incapacidade de vincar a superioridade que o seu futebol quer sugerir é já uma patologia. Preocupante, de resto.
Este Sp. Braga é um romântico desnaturado, incapaz de assentar numa relação monogâmica com o jogo. Mais do que desejar a vitória, o conjunto anseia florear quando é desnecessário e ausentar-se dos momentos mais relevantes, quando a sua presença é imperativa.
Não é fácil dissecar estas quebras de responsabilidade. Diante do Galatasaray, por exemplo, tudo aparentava estar perfeitamente controlado, até à hecatombe.
O golo de Márcio Mossoró na primeira parte, num remate bem colocado após um erro ridículo de Felipe Melo, afigurava-se até como escasso para tamanha superioridade.
Mossoró, no meio, desenhava corações e sorrisos no futebol minhoto, Ismaily até se revelava uma aposta feliz a extremo esquerdo, Custódio e Rúben Amorim davam conta das encomendas no meio-campo. Mais atrás, Paulo Vinícius confirmava ser o melhor dos centrais ao dispor de José Peseiro.
Ora, ia a partida neste tom previsível, calmo e dominado pelo Sp. Braga, quando o CFR Cluj marcou em Manchester. Luís Alberto, curiosamente cedido pelo clube português aos romenos, acabou por ser a alavanca que iniciou o processo revolucionário otomano.
Sem nota de pré-aviso, mensagem enviada ou pombo-correio que se visse, o Galatasaray decidiu jogar e arrasou em poucos detalhes o mundo perfeito - quase nostálgico e bucólico - do Sp. Braga.
Burak Yilmaz, num cabeceamento bem colocado, marcou pela sexta vez na Liga dos Campeões (minuto 58) e o homónimo Aydin fez aos 80 o que a evolução do jogo foi sugerindo: o segundo do Galatasaray.
Podemos ser justos e recordar que o Braga fez dois belos jogos contra o ManUtd e até ganhou em Istambul. Tudo ok. Mas o essencial é isto: em seis jornadas, a equipa de Peseiro fez três pontos e demonstrou uma incapacidade alucinante de ser pragmática e gerir vantagens no marcador. A participação na Liga dos Campeões foi má a acabou pior.
Efeito borboleta, ondas de contágio. Lembram-se? O epicentro está registado na Liga dos Campeões. Resta saber qual a área afetada nas provas nacionais pelo terramoto europeu.