sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quando entra água aparecem tubarões


Fazer figas e pensar que tudo se resolve com mais gente no ataque nem sempre dá resultado. Quando o perigo ronda a baliza, deve ser levado a sério e esse foi o principal pecado do Braga numa partida em que a fronteira entre o êxito e o fracasso era mínima. Dependente apenas de um empate para acabar na liderança do Grupo H e qualificar-se para os 16-avos-de-final da Liga Europa, o Brugge não se assustou com a dupla Nuno Gomes e Lima e a expulsão de Elderson, em plena fase de aquecimento, boicotou por completo a estratégia de Leonardo Jardim. Resultado: no sorteio de hoje, os poderosos Manchester United, Manchester City, Valência e Olympiacos podem calhar ao Braga.


Como só a vitória interessava ao Braga, era preciso passar para a frente no marcador o mais rápido possível e a inclusão de Nuno Gomes no onze inicial parecia tornar o ataque mais feroz. Se a força do Brugge residia no meio-campo, o antídoto ideal poderia ser apostar no futebol directo e na velocidade, sem grandes passeios pela zona central do terreno de jogo para não beneficiar o inimigo, e por aí parecia fazer sentido o 4x4x2 britânico do Braga. Resumido para futebolês, era uma equipa de transições rápidas.


Na prática, resultou somente durante pouco mais de um quarto de hora, embora com alguns sustos pelo meio. Dono e senhor do meio-campo, como se previa, o Brugge tricotava jogadas à vontade e tentava rasgar a defesa arsenalista preferencialmente pela direita, através de Odjidja e Dirar. E foi mesmo por ali que o Braga começou a fraquejar: Dirar arranca isolado e Elderson só chega a tempo de puxar o atacante, vendo de imediato o vermelho. Com menos um em campo, a ânsia por marcar cedo deu lugar a uma postura guerreira, a apelar à capacidade de sofrimento. O Brugge, já a salivar por golos frescos, bem tentava resolver a partida rapidamente, mas o nulo arrastou-se até ao intervalo e o marcador até esteve mais perto de funcionar para os visitantes, quando Lima, a passe de Alan, apareceu de rompante na área a disparar de primeira. Valeram os reflexos de Kujovic.


A pressão do Brugge voltou a manifestar-se no reatamento e Vleminckx já não perdoou à primeira oportunidade na área, um minuto depois de Douglão ter evitado, quase por milagre, um golo quase certo do recém-entrado Refaelov. Era a deixa para Jardim procurar soluções no banco: entraram Paulo César, Carlão e Mossoró. De bola corrida, era difícil fazer a diferença. De canto, após um remate enrolado de Hugo Viana, Ewerton resolveu na área com um toque de calcanhar brilhante. Estava relançada a partida. Com mais coração do que com cabeça, o Braga agigantou-se na ponta final e Hugo Viana esteve próximo de marcar. Com o credo na boca, os visitados sentiram calafrios e não era pelo frio. Os últimos minutos transformaram-se numa eternidade, dando por fim lugar a uma explosão de alegria.


Brugge-Braga, 1-1


Jogo no Estádio Jan Breydel, em Brugge.


Ao intervalo: 0-0.


Marcadores:


1-0, Vleminckx, 50 minutos.


1-1, Ewerton, 65.


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Brugge: Kujovic, Hoefkens, Donk, Almeback, Hogli, Odjidja, Zimling, Vazquez, Dirar, Meunier e Vleminckx.


(Suplentes: Coosemans, Van Gijseghem, Refaelov, Van Acker, Deschilder, De Jonghe e Akpala).


Braga: Quim, Leandro Salino, Ewerton, Douglão, Elderson, Dajmal, Hugo Viana, Alan, Nuno Gomes, Hélder Barbosa e Lima.


(Suplentes: Berni, Rodrigo Galo, Mossoró, Mérida, Nuninho, Paulo César e Carlão).


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Árbitro: Aleksandar Stavrev (Macedónia).


Acção disciplinar: Cartão amarelo para Odjidja (22), Hoefkens (38), Leandro Salino (61), Quim (após o final), Douglão (após o final). Cartão vermelho para Elderson (16).