sábado, 24 de dezembro de 2011

Vinícius floresce e cai no Inverno


Saídas à parte, as necessidades actuais do Braga (central, lateral-direito e médio) não diferem muito daquilo que Domingos Paciência pediu há quase um ano à SAD presidida por António Salvador. Antes de acelerar para a final da Liga Europa, a equipa estava deficitária de um central, um lateral, um trinco e um avançado, e as vagas foram preenchidas por Kaká (Hertha de Berlim), Marco Ramos (Lens), Vinícius (Olhanense) e Ukra (FC Porto), respectivamente. Deste quarteto, o único resistente à disposição de Leonardo Jardim é o médio Vinícius (Ukra continua entregue ao departamento médico) e, atendendo à sua pontual utilização, tudo leva a crer que deixará o clube em Janeiro. Será esse o mesmo destino, dentro de um ano, de quem chegar na reabertura do mercado?


Se assim for para todos, já se poderá falar numa passagem relativamente duradoura. Quem chegou em Janeiro de 2011 não conseguiu mais do que aspirar ao estatuto de suplente utilizado ou de alternativa para compensar castigos ou lesões, e o próprio clube não caiu na tentação de esbanjar fortunas em busca de foras-de-série, capazes de roubar a titularidade a quem compunha a espinha dorsal da equipa. Kaká chegou por empréstimo do Hertha de Berlim, Marco Ramos veio como jogador livre, e Ukra foi cedido, num quadro de empréstimo válido por época e meia, pelo FC Porto. Até por aqui se percebe o lucro recorde nas contas de 2010/11.


A excepção, em termos de investimento, foi o médio Vinícius, contratado por três épocas e meia ao Olhanense, a troco de 200 mil euros. Sempre atento ao último grito da moda em matéria de trincos, Manuel Machado bem tentou que o brasileiro tomasse o caminho de Guimarães, mas o eterno rival ganhou a corrida por ter outra disponibilidade financeira. A pouco mais de uma semana da reabertura das inscrições, Olhão surge agora (outra vez) no horizonte como destino provável.


No tocante a dispensas, a lógica desta época também está em linha com o que se verificou em 2010/11. Para já é certo que Rodrigo Galo, Mérida, Meyong e Marcos deixam de contar para Leonardo Jardim, mas é possível que o lote de excedentários suba pelo menos mais um degrau, aproximando-se da lista traçada por Domingos Paciência, com a anuência da SAD, composta por Mário Felgueiras, Felipe, Léo Fortunato, Luis Aguiar, Andrés Madrid e Élton. Por outras palavras, Janeiro significa, para o Braga, uma preciosa oportunidade para se ver livre de "calorias" desnecessárias, que, na prática, quase passa despercebida pelo "glamour" dos chamados reforços. Em Espanha, por exemplo, o regresso de Mérida ao Atlético de Madrid foi uma surpresa.