terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Carvalhal: «Sp. Braga é uma boa equipa com grandes objetivos»


ELOGIOS AO RIVAL QUE TEM LUGAR NO SEU CORAÇÃO

O sorteio dos 16 avos-de-final da Liga Europa colocou Carlos Carvalhal no caminho da sua equipa do coração. O técnico do Besiktas admite que teve um sentimento misto em relação ao sorteio, mas garante que será um jogo especial.

"Tive um sentimento misto em relação ao sorteio. Primeiro senti que não o queria e segundo até acabei por gostar... Braga é a minha cidade natal e a minha antiga equipa. Fui treinador de uma equipa onde cheguei a jogar por muitos anos e será um jogo contra um emblema que conheço muito bem", disse, em declarações ao canal LIG TV.

"A minha casa é muito próxima do Estádio Municipal de Braga e até consigo vê-lo a partir de minha casa. É a terceira maior cidade de Portugal, mas comparando com a Turquia é muito pequeno. As hipóteses para este jogo estão muito equivalentes. O Sp. Braga é uma boa equipa com grandes objetivos", concluiu.

Alan "Os outros podem escorregar"


A teoria de que o actual plantel do Braga dispõe de piores recursos do começa a perder validade. À luz dos números, a equipa soma agora mais oito pontos do que na época passada e quase se aproxima do desempenho de 2009/10, quando acabou o campeonato a discutir o título com o Benfica. As turbulências parecem ter batido asas e a segunda vitória fora de casa, em Olhão, devolveu a confiança ao grupo.

Elemento inspirador numa equipa habituada a surpreender, Alan até já admite um Braga a bater-se por mais do que um lugar de acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.


Com a vitória em Olhão e consequente aproximação ao Sporting, com a distância encurtada para dois pontos, será possível ao Braga repetir a participação na Liga dos Campeões?


O nosso objectivo é esse, buscar sempre mais. Estamos em quarto, vamos em busca do terceiro lugar e por aí em diante. Foi muito positiva a última vitória. Virámos o jogo e a união da equipa foi mais uma vez demonstrada.


Quem está mais forte: Benfica, FC Porto ou Sporting?


Os mais fortes são o Benfica e o FC Porto. O Sporting ainda tem algumas oscilações, enquanto o Benfica e o FC Porto, apesar de não fazerem grandes jogos, lá vão ganhando.


O Artur (Benfica) disse recentemente que em Braga acontecem coisas do outro mundo… Esse é o grande trunfo do Braga: nunca perder em casa?


Sem dúvida. Em nossa casa, somos nós a mandar. Agora só temos de passar isso também para fora de casa.


A vitória mirabolante em Olhão também foi de outro mundo?


Não foi uma vitória do outro mundo, foi antes uma segunda parte do outro mundo, porque a primeira foi muito má. Reflectiu a força da equipa. Ao intervalo conversámos, reflectimos sobre o que aconteceu de mau na primeira parte e tratámos de corrigir na segunda. O treinador não disse nada de especial: identificou os erros cometidos e motivou os jogadores. Foi assim que demos a volta por cima.


Qual foi o grande acontecimento de 2011?


A reviravolta em Olhão. No fim da época, esse resultado vai fazer a diferença. São três pontos muito importantes e tiveram grande impacto no grupo pela forma como foram conseguidos. Muita gente não acreditava, mas nós acreditávamos e demos a volta ao resultado.


Esqueceu a participação na final da Liga Europa...


É claro que foi marcante. Temos que pensar em chegar lá de novo. Esse meu esquecimento deve-se à nossa forma de trabalhar. Foi um feito muito bonito, que infelizmente não ganhámos, mas olhamos sempre em frente. Em futebol não se pode dormir, caso contrário, o comboio passa e a gente fica para trás. Eu próprio costumo dizer aos meus amigos que águas passadas não movem moinhos. Temos que seguir em frente. Se ficarmos agarrados ao passado, não aproveitamos o presente e o futuro.


Depois de ter acabado o campeonato em segundo lugar e ter disputado a final da Liga Europa, o que falta ao Braga para conquistar o título?


Queríamos ir à final da Taça de Portugal e não conseguimos. Resta-nos o campeonato, a Liga Europa e a Taça da Liga. Há que continuar a trabalhar e continuar a carregar no pedal. Pode ser que Benfica, FC Porto e Sporting escorreguem. Para já, não temos prioridades, mas assumo que a Taça de Portugal era uma prioridade no começo da época.


O que correu mal na eliminatória com o Sporting?


Pecámos um pouco na finalização. Começámos bem, mas o Sporting fez dois golos e controlou o jogo. Em termos globais estivemos bem, simplesmente não concretizámos as oportunidades.


Leonardo Jardim já disse que não se pode comparar o actual Braga com o da época passada e até citou as ausências de Moisés, Rodriguez, Paulão e Léo Fortunato; dos médios Vandinho e Luis Aguiar e do avançado Matheus… De que jogador sente mais falta?


A equipa está a portar-se bem. Todos esses jogadores fazem falta, são todos muito bons, mas quem ficou tem dado boa conta do recado. Sou amigo de todos. Converso com eles sempre que posso. Falo habitualmente com o Matheus, o Vandinho e o Moisés. É difícil dizer se estaríamos melhor classificados com eles do nosso lado. São excelentes jogadores, mas há diferenças: a defesa foi praticamente toda trocada e o ataque está produzir mais do que na época passada.


Esse bom comportamento do ataque deve-se ao facto de apenas ter saído o Matheus?


Refiro-me ao comportamento global da equipa em termos ofensivos. Agora marcamos mais golos. Temos tido mais sorte na finalização, mas sorte também se procura trabalhando.


Os insultos racistas que denunciou constituem o episódio mais negativo da sua passagem por Portugal?


Estou cá há 10 anos e foi sem dúvida o episódio mais negativo. Já passou, é para esquecer. Não merece ser guardado.


O Artur sempre conseguiu promover um encontro entre o Javi García (Benfica) e o Alan?


Não aconteceu. É verdade que chegou a falar comigo sobre isso. Telefonou-me de propósito, mas recusei. Disse-lhe que estava tudo acabado e que não fazia qualquer sentido.


Sendo casado com uma portuguesa, natural de Viseu, pensa naturalizar-se português e representar a Selecção Nacional?


Não teria problema nenhum. Por acaso tenho passaporte português há uns cinco ou seis anos, mas nunca fui abordado nesse sentido. Ficaria muito feliz, pelos meus filhos, ambos são portugueses, e pela família e amigos que tenho em Portugal. Quando terminar a carreira, fico em Portugal, já não regresso ao Brasil. Já sou mais português do que brasileiro.


Quando se verifica que a equipa soma agora mais oito pontos do que na época anterior, em igual período, fica a impressão de que o clube até saiu a ganhar com tantas saídas…


Pelos pontos somados, é uma interpretação possível. É difícil dizer se o clube saiu a ganhar ou se saiu a perder. Como o campeonato está mais equilibrado este ano do que no ano passado, esses oito pontos a mais que somamos devem ser valorizados.


Dos jogadores mais novos, quem o surpreendeu mais?


O Baiano, o Paulo Vinícius e o Ewerton. O Nuno Gomes nem precisa de comentários. Eu combinava muito bem com o Baiano, o entrosamento era muito bom. Com o Salino, as coisas também têm corrido bem, até melhor do que a gente pensava: é um jogador muito rápido e desarma muito bem. Só que não é um lateral de raiz. Por vezes, até dá para confundir os adversários e também os jornalistas pela questão do penteado (risos).


Ewerton é dos jogadores com mais mercado. Concorda?


É um central com margem de progressão muito grande. É muito jovem e vai evoluir bastante.


Como é a relação do plantel com Leonardo Jardim: primeiro estranha-se, depois entranha-se?


Tem sido boa. Tem métodos diferentes do Domingos, mas nunca estranhámos. É uma excelente pessoa. No começo era fechado, mas depois tornou-se mais conversador. Já se pode falar numa relação de amizade entre o grupo e o treinador.


Os adeptos é que não têm gostado de alguns resultados, como aconteceu no fim dos jogos com o Leiria (derrota) e a Académica (empate). É compreensível ou já se trata de uma nível de exigência exagerado?


Os adeptos podem fazer o que quiserem. Eles reagiram assim, porque têm noção do nosso valor e acham que podemos dar sempre mais. Estão habituados aos êxitos das últimas duas épocas: fomos vice-campeões e fomos à final da Liga Europa. Estão bem habituados e as vítimas somos nós (risos). 




Até que idade pensa jogar?


Até sentir força nas pernas. Sinceramente, ainda não parei para pensar nisso. Tenho contrato com o Braga até 2014.


Quando Jorge Jesus comentou que o Alan chegou a ser hipótese para o Benfica, foi uma novidade ou já sabia disso?


Já tinha conhecimento disso. Julgo que o Benfica chegou a conversar com o Braga durante o Verão de 2010. Comigo, confirmo que conversaram. O Raul José (adjunto de Jorge Jesus) telefonou-me a perguntar se estaria disponível e depois não aconteceu nada. Só falaram comigo uma vez; depois já não percebi o que aconteceu.


Há dois anos esteve perto de se mudar para o Al-Sarjah (Dubai). Perdeu muito dinheiro?


Esse interesse do Benfica surgiu quase ao mesmo tempo do Al-Sarjah, há dois anos. O Al-Sarjah chegou a apresentar uma proposta concreta. Era um bom contrato, muito valioso, mas julgo que tomei a decisão certa ao permanecer em Braga. Só tinha mais um ano de contrato e aceitei renovar.


O Sporting foi outra oportunidade perdida em 2010?


Foi, já no tempo do Paulo Sérgio... Nada está perdido em futebol. Em termos de estrutura, o Braga equivale-se ao Sporting, Benfica e FC Porto. Nunca fiquei triste por essas transferências não se concretizarem. Ficava ansioso, mas depois seguia o meu caminho, trabalhando.


Projecta terminar a carreira ao serviço do Braga?


Nesta altura, não posso dizer que vou terminar a carreira no Braga, porque nem sei o dia de amanhã. Se isso puder acontecer, seria motivo de grande orgulho







Número de golos sofridos começa a aumentar


Aquela que era a imagem de marca do SC Braga de Leonardo Jardim - uma equipa bastante consistente a nível defensivo - tem-se esbatido nos últimos tempos. A culpa, o próprio treinador reconhece-o, é da onda de lesões traumáticas que assolou o plantel dos minhotos, nomeadamente com Baiano e Paulo Vinícius.


A atestar esta dura realidade de a muralha ter aberto uma brecha está o facto de Quim ficar mais exposto aos ataques dos adversários. Os números não mentem: o internacional português participou em 12 partidas da Liga portuguesa e sofreu outros tantos golos, três dos quais na última saída dos arsenalistas, a Olhão.



Carvalhal em Braga com televisão turca

O confronto entre SC Braga e Besiktas nos 16 avos-de-final da Liga Europa está apenas marcado para Fevereiro, mas os turcos estão já atentos à chamada cidade dos arcebispos.

Aproveitando a presença de Carlos Carvalhal na cidade para passar a quadra natalícia, uma equipa de reportagem da Lig TV acompanhou o actual treinador do Besiktas. Gravaram em vários pontos da cidade e em pleno relvado do Estádio Axa.

Carvalhal serviu de cicerone, até porque nasceu na cidade e tem casa com vista para o Estádio. Claro que recordou também a passagem que teve pelo SC Braga, tanto como jogador tanto como treinador, além de ter passado em revista o quase meio ano de trabalho que leva à frente do Besiktas.

Quanto ao embate nos 16 avos-de-final da Liga Europa, o treinador português explicou que vive mistura de sentimentos: «Penso primeiro no aspecto desportivo, depois estou muito feliz por ser a minha cidade e a minha antiga equipa.»

Da parte da equipa de reportagem, muito gosto pelo que conheceu da cidade, da comida e, naturalmente, do estádio fora do normal. Ficou, no entanto, a comparação: «Braga comparada com Istambul, que tem mais de 17 milhões de habitantes, é como se fosse um jardim.»