Saiu do Benfica porque queria jogar mais e continua a não gostar de ficar de fora. Com o Sporting espera um bom resultado e quer lutar pelo título.
Aos 35 anos, Nuno Gomes continua a querer a titularidade em cada jogo e recupera a ideia de que "ninguém gosta de ficar de fora". Fala de Braga com carinho e, sobre o clássico de domingo com o Sporting, pesa bem as qualidades do adversário. Reafirmando-se benfiquista, percebe-se que a saída da Luz deixou marcas. Já o final de carreira ainda não é assunto que o deixe sem sono.
Depois de tantas épocas no Benfica, encontrou alguma coisa que o surpreendesse na chegada ao Minho?
Não, conhecia o clube por tê-lo defrontado tantas vezes e encontrei em Braga ambição e competência, uma equipa em ascensão que nada deve aos grandes, sentindo-se no dia-a-dia a vontade de ser cada vez mais forte.
Como é a experiência de trabalho com o técnico Leonardo Jardim?
Boa, o treinador também é novo no clube, embora se enquadre na imagem deste projecto que referi, ambicioso e desejoso de crescer.
Na Luz era suplente, em Braga também tem estado no banco e já referiu várias vezes que não gosta disso. Como tem convivido com essa situação?
Ninguém gosta de ficar de fora, mesmo que nenhum jogador tenha no contrato uma cláusula a indicar que será titular. As opções pertencem ao treinador que tenta escolher aqueles que lhe parecem estar melhor a cada momento. A minha meta é a habitual: quero jogar cada vez mais e também por isso decidi sair do Benfica ...
Pensa deixar Braga por ser suplente?
Não, sinto-me bem aqui, as pessoas tratam-me com carinho, não há razões para sair.
“Se houvesse mais verdade, as pessoas não ficariam tão revoltadas”, opina sobre o País.
Embora acredite na recuperação económica de Portugal, o jogador concorda que vai exigir um esforço histórico da população.
Que análise faz acerca da crise económica em que o País vive?
Em parte, percebo aquilo que é preciso fazer: num contexto difícil, temos de gerir melhor o dinheiro e os portugueses terão de ser muito pacientes para enfrentar as dificuldades. Ao mesmo tempo, porém, quem governa não deve mentir aos cidadãos e, muitas vezes, prometem-se e dizem-se coisas que, ao fim de alguns meses, já não são bem assim. Se houvesse mais verdade as pessoas não ficariam tão revoltadas.
Acredita que Portugal vai ser capaz de recuperar?
Quero acreditar que sim, mesmo conhecendo as dificuldades. Os portugueses mostraram noutras situações que têm um modo especial de reagir em condições adversas. Somos um povo com uma força inacreditável e, por isso, sinto-me optimista.
É investidor?
Sou, mas não na bolsa. Tenho investido em imobiliário sem correr riscos.
Quando saiu do Benfica disse que pretendia jogar mais uma época: já decidiu se esta é a última temporada?
Não estou preocupado com isso e as duas hipóteses são viáveis. Se tiver condições para jogar mais um ano, cá estarei; se acabar a carreira não haverá dramas.
Avançado diz que Barcelona é um hino ao futebol, mas também elogia Mourinho.
Nuno Gomes prefere Ronaldo, mas admite que Messi está muito próximo.
Quem foi o melhor companheiro dentro de campo?
João Pinto, porque era um jogador de uma inteligência prodigiosa, além de extraordinário executante e, para um avançado, ter alguém assim ao lado ou no apoio torna a vida muito mais facilitada.
Prefere Ronaldo ou Messi?
Ronaldo, até porque nunca treinei ou joguei com Messi. Por aquilo que tenho visto, não é difícil admitir que Messi é impressionante e estão muito próximos em termos de qualidade, embora tenham características diversas. Cristiano Ronaldo é mais explosivo e poderoso, a Messi ninguém tira a bola. No fundo são dois fenómenos do nível do brasileiro Ronaldo.
Diário Económico
