Istambul testemunha o crescimento europeu dos minhotos
Nunca voltes a um sítio onde já foste feliz, reza a cultura popular. Não faz qualquer sentido, se pensarmos no Sp. Braga e nas suas visitas retumbantes à Turquia. A cada regresso, o saque é maior e melhor: depois do Sivasspor e do Besiktas, foi a vez de cair o gigante Galatasaray.
Dois golos serviram para atestar a competência desta equipa de José Peseiro. A meio do primeiro tempo, e depois de suster as primeiras investidas otomanas, Rúben Micael comprovou a queda para marcar nas provas da UEFA e silenciou o inferno de Istambul.
Mérito para o oportunismo do madeirense e, antes, para a iniciativa fantástica de Éder e o remate fortíssimo de Rúben Amorim. Fernando Muslera defendeu para a frente e criou todas as condições para o Sp. Braga marcar.
Depois do sacrifício, da aplicação, do sofrimento, o Sp. Braga fez o segundo por Alan, num brilhante ensaio de contra-ataque. O passe de Éder é soberbo e a finalização do brasileiro ainda melhor. Uma grande equipa é isto: aguenta e mata.
Os três pontos colocam os minhotos em posição de continuar a lutar, sem uma pressão desmedida, pela qualificação. O CFR Cluj perdeu na receção ao Manchester United e continua com os três pontos conquistados na pedreira.
Falar desta vitória fantástica do Sp. Braga é falar também da atuação extraordinária de Beto. Pelo ar e pelo chão, o guarda-redes esteve absolutamente perfeito. Não largou um único dos inúmeros cruzamentos que sobrevoaram a sua zona de ação e ainda desviou para a barra um pontapé perigoso de Aydin Yilmaz.
Beto foi, aliás, a imagem do acerto defensivo da equipa. Começou por esta solidez, esta concentração, esta obstinação em não falhar, o triunfo do Sp. Braga. O conjunto foi inteligente, obrigou o Galatasaray a começar demasiado cedo com o jogo direto e aproveitou, com o cinismo dos eleitos, a fragilidade turca na defesa.
A noite teve momentos épicos para o Sp. Braga. São estes jogos que catapultam a fama e a ambição de um clube. O Galatasaray está longe de ser uma equipa frágil e isso só pode valorizar a pilhagem do clube português.
As exibições individuais foram quase todas ótimas mas, além de Éder, é justo sublinhar a tremenda aparição de Éder, bem como a utilidade dos dois Rúbens e o trabalho incansável de Custódio e Hugo Viana.
Contas feitas, o Sp. Braga vai na terceira ronda a Old Trafford consciente de que é capaz de jogar olhos nos olhos em qualquer estádio europeu. O Teatro dos Sonhos pode muito bem ser um palco à medida da ambição europeia destes Guerreiros.