quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

«Com respeito pelas outras equipas mas tínhamos qualidade para seguir em frente» - Mossoró


Mossoró (foto AP)

Márcio Mossoró, que marcou o único golo do SC Braga frente ao Galatasaray, diz que a sua equipa cometeu erros, dos quais todos os jogadores são culpados.

«Foram duas partes diferentes. Entrámos muito mal na segunda e eles deram a volta. Temos de evitar cometer erros, que são erros coletivos. Somos todos culpados. Temos de levantar a cabeça, ainda temos objetivos pela frente. Estamos muito frustrados. Com todo o respeito pelas outras equipas, tínhamos qualidade para seguir em frente», afirmou o médio em declarações à Sport TV.

«Temos de melhorar defensivamente» - Custódio


Custódio diz que o SC Braga não merecia a derrota frente ao Galatasaray e diz que o objetivo da equipa é ficar num lugar no campeonato que dê acesso à Liga dos Campeões.

«Temos de melhorar defensivamente e estou certo que isso vai acontecer. A nossa equipa não merecia a derrota desta noite. Ainda temos muitos objetivos esta época. Queremos chegar a um lugar no campeonato que nos dê acesso à próxima edição da Liga dos Campeões», afirmou o médio na zona mista do estádio AXA.


Quim: «Fiz dois jogos e espero continuar no onze»



Quim, guarda-redes do Sp. Braga, comentou desta forma a derrota frente ao Galatasaray. Declarações na flash interview da SportTV:

«Aconteceu o mesmo que em jogos anteriores na Champions, não conseguimos segurar o resultado. Mas temos de olhar em frente, pensar nos troféus que temos para disputar. É a segunda vez que o Braga está na Liga dos Campeões e é normal não ter a experiência de outras equipas, como o Galatasaray teve hoje, por exemplo. Interessa encarar o futuro, com trabalho e dedicação. Titular? Trabalho diariamente para jogar, fiz dois jogos e espero continuar.»

Mossoró: tantas vezes no banco, porquê?

Destaques

A Figura: Márcio Mossoró
Parte interior do pé direito na bola, contato à entrada da área, golo. É esta qualidade na execução e serenidade no pensamento que diferenciam Mossoró. E é na zona central que o seu futebol ganha a dimensão que lhe é reconhecida e não nas alas. Recua, pede a bola, assume o risco, desequilibra. É realmente difícil perceber os motivos que levaram José Peseiro a colocá-lo tantas vezes no banco de suplentes. Não há melhor do que ele em Braga para a posição dez. Perdeu influência na segunda parte e a equipa caiu a pique.

O Momento: mais um golo de Burak Yilmaz
É uma das grandes personagens da Liga dos Campeões 2012/13. Seis presenças, seis golos. Em Braga empatou o jogo com um cabeceamento bem colocado, à passagem do minuto 58. O golo impulsionou de imediato o Galatasaray, mexeu com a dinâmica da partida e fez com que se percebesse que o segundo dos turcos estava a chegar. Chegou mesmo. 

Negativo: Felipe Melo
É internacional brasileiro, mas joga pouco. É um médio rude, de combate, mas com claras limitações técnicas. Basta analisar o disparate que originou o golo de Mossoró. Não acertou na bola a fazer o alívio e o compatriota agradeceu. 

OUTROS DESTAQUES

Éder
Grande revelação da temporada. O que cresceu este menino! Fisicamente é um portento, já se sabia, mas a forma como trabalha a bola indicia estarmos perante um caso muito sério. Não fosse uma pequena hesitação e teria marcado logo aos 15 minutos. Não o fez mas correu, segurou a bola e tabelou sempre com qualidade. É um ponta-de-lança de nível internacional e uma bela notícia para a Seleção e Paulo Bento. 

Quim
Fez um bom jogo contra o F.C. Porto e José Peseiro premiou-o com a estreia na presente edição da Liga dos Campeões. Respondeu à altura dos seus pergaminhos. O momento maior terá sido um voo, com tanto de aparatoso como de eficaz, aos 40 minutos. Seguro na saída aos cruzamentos, concentrado a jogar com os pés. Nada a fazer no golo de Burak Yilmaz, talvez pudesse ter feito mais no de Aydin. Beto tem a baliza ameaçada? 

Burak Yilmaz
Trazia cinco golos dos cinco primeiros jogos. Era uma ameaça evidente e confirmou tratar-se do mais perigoso dos otomanos. Teve dois desvios perigosos ainda na primeira parte e jogou a um nível sempre superior ao do sueco Johan Elmander. No segundo tempo fez o sexto golo na prova, num cabeceamento exemplar. Yilmaz é um ponta-de-lança forte, móvel e com a capacidade de farejar o golo. Fez todos os golos do Galatasaray nesta fase. Está tudo dito. 

Adeus triste a uma participação triste



LC: Sp. Braga-Galatasaray, 1-2 (crónica)

Sp. Braga vs Galatasaray (Reuters)


Efeito borboleta, ondas de contágio. O tremor do perdão no ataque percorreu toda a estrutura da equipa, até se fazer sentir na defesa. O Braga tanto falhou na frente, que acabou vergado atrás por dois golos turcos. O incontornável Burak Yilmaz e o homónimo Aydin escreveram mais uma página de frustração na época arsenalista. 

A incapacidade de vincar a superioridade que o seu futebol quer sugerir é já uma patologia. Preocupante, de resto. 

Este Sp. Braga é um romântico desnaturado, incapaz de assentar numa relação monogâmica com o jogo. Mais do que desejar a vitória, o conjunto anseia florear quando é desnecessário e ausentar-se dos momentos mais relevantes, quando a sua presença é imperativa.

Não é fácil dissecar estas quebras de responsabilidade. Diante do Galatasaray, por exemplo, tudo aparentava estar perfeitamente controlado, até à hecatombe. 

O golo de Márcio Mossoró na primeira parte, num remate bem colocado após um erro ridículo de Felipe Melo, afigurava-se até como escasso para tamanha superioridade. 

Sp. Braga vs Galatasaray (Reuters)Éder falhara uma oportunidade facílima aos 15 minutos, Paulo Vinícius imitou-o minutos depois, mas a equipa mostrava querer fazer as pazes em definitivo com os adeptos. 

Mossoró, no meio, desenhava corações e sorrisos no futebol minhoto, Ismaily até se revelava uma aposta feliz a extremo esquerdo, Custódio e Rúben Amorim davam conta das encomendas no meio-campo. Mais atrás, Paulo Vinícius confirmava ser o melhor dos centrais ao dispor de José Peseiro.

Ora, ia a partida neste tom previsível, calmo e dominado pelo Sp. Braga, quando o CFR Cluj marcou em Manchester. Luís Alberto, curiosamente cedido pelo clube português aos romenos, acabou por ser a alavanca que iniciou o processo revolucionário otomano. 

Sp. Braga vs Galatasaray (Reuters)

Sem nota de pré-aviso, mensagem enviada ou pombo-correio que se visse, o Galatasaray decidiu jogar e arrasou em poucos detalhes o mundo perfeito - quase nostálgico e bucólico - do Sp. Braga. 

Burak Yilmaz, num cabeceamento bem colocado, marcou pela sexta vez na Liga dos Campeões (minuto 58) e o homónimo Aydin fez aos 80 o que a evolução do jogo foi sugerindo: o segundo do Galatasaray. 

Podemos ser justos e recordar que o Braga fez dois belos jogos contra o ManUtd e até ganhou em Istambul. Tudo ok. Mas o essencial é isto: em seis jornadas, a equipa de Peseiro fez três pontos e demonstrou uma incapacidade alucinante de ser pragmática e gerir vantagens no marcador. A participação na Liga dos Campeões foi má a acabou pior. 

Efeito borboleta, ondas de contágio. Lembram-se? O epicentro está registado na Liga dos Campeões. Resta saber qual a área afetada nas provas nacionais pelo terramoto europeu.